É SOBRE CONFIANÇA. EM MIM E NA EXISTÊNCIA.

Saiba mais sobre Shibari

Questões relativas ao corpo, sempre foram muito intrigantes e desafiadoras para mim.  O resumo é que Já tive e tenho muito prazer através dele. Mas nem sempre foi assim…

Talvez pareça uma inverdade. Mas, já evitei me tocar ou tocar outras pessoas. E também já tive muito desconforto em observar meu corpo no espelho. 

Me lembro com autocompaixão, que já vivi um pavor em realizar atividades que envolvessem posições que não fossem esteticamente “atraentes”.  A “Fabi de antes”, só de imaginar em ter alguém a levantando, pegando o colo ou em qualquer possibilidade de ser suspensa, de sair do solo, mesmo que por alguns segundos já se desequilibrava.

Essas possibilidades disparavam em mim uma série de condicionamentos.  Como por exemplo, que nada nem ninguém me sustentaria. Ou então,  que não estar em alguma posição milimetricamente planejada revelaria detalhes repulsivos da minha pessoa. 

Amor estranho amor

Felizmente – hoje – acredito que estou num caso de amor profundo comigo. Com meus pontos esquisitinhos e com as possibilidades de ser quem eu sou.  

Depois que me permiti passar por sessões de Shibari. Me permiti experimentar novas experiências sensoriais.  Me permiti questionar muito do que eu achava coerente, aceitável e possível.

Após a decisão de me entregar ao Tantra, nas meditações ativas eu me sinto uma pluma.  E mais recentemente,  estar entre as cordas e o tatami, também expandiu minha consciência corporal.  Não foi nada a jato.  Nada instantâneo. E nem perpétuo. Eu cultivo essa percepção a cada movimento, a cada meditação e a cada momento como esse,  em que decido escrever e refletir sobre o corpo e o que ele significa para mim. 

MUITO LEVE, LEVE POUSA

Do mesmo modo que movimentar o corpo nas meditações tântricas me mostrou um corpo fluído e maleável, ser suspensa, me mostrou que com a intenção e a tração adequada eu posso “voar”. Literalmente. 

Talvez eu Ainda não consiga traduzir com exatidão o sentimento ao sair do chão. Só sei que em questões de segundos, não estava mais em contato com o solo. Experimentei permanecer numa espécie de ‘não gravidade. Esses minutos em que me senti sem peso físico, também me convenceram da potência que é se sentir sem peso energético, emocional ou qualquer outra noção de sobrecarga ou resistência. 

Com isso veio o que eu optei por colocar na caixinha da Confiança. Em mim, na existência. Na abundância do que me cerca. Das minhas relações. 

Confiança de que sou mais do que o esquema de músculos, pele, sangue e osso. No entanto, é esse mesmo esquema que me permite apreciar sensorialidades, sensações e descobertas. 

E tudo isso se mostrou, revelador. Da mesma forma, provocativo e sobretudo terapêutico. É assim que tenho investigado o meu relacionar-se com o corpo.

E é assim que eu tenho degustado cada novo jogo de Shibari. 

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